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Escrito por Claudia Matos Silva   
02-Jan-2008

The Buggles cantam “Vídeo Killed The Radio Star”, a seu tempo descobrimos que não é verdade. E que tal reformular o título “Computer Killed The Radio Star”?

Corro o risco de aligeirar a verdade - bastante dramática - para quem a rádio é mais do que uma paixão mas o pão para a boca. E de quem é a culpa? Bodes expiatórios não faltam: os downloads ilegais, a ditadura das playlists ou a pressão flagrante das editoras? No meu entender os verdadeiros culpados  são os computadores (esses safardanas), qual cabeças pensantes, amotinam-se para desgraçar a rádio neste pequenito canto à beira mar plantado! Mas se pensam que este artigo é para traçar um retrato trágico da actual situação, desenganem-se. Realmente a minha actual coloração capilar é muito semelhante à de Johnny Rotten (Sex Pistols) só que eu não grito em plenos pulmões “No Future”. Há futuro sim senhor e diante dos nossos olhos…só não vê quem não quer!

Final da década de 80…

Mark -  adolescente borbulhento -  totalmente ignorado pelos colegas mas  amplamente elogiado pelos professores, à noite transforma-se em Hard Harry, o “pirata do ar”. O mesmo que caminha desajeitadamente pelo pátio da escola com os óculos a escorregarem pela cana do nariz, é – sem que ninguém sequer desconfie - um verdadeiro líder,  monopolizando os mesmos adolescentes que durante o dia o ignoram com desdém. Hard Harry - assim se assume perante a ampla comunidade de fieis ouvintes - com uma emissão local de curto alcance, opinando abertamente sobre as suas preocupações, colocando o dedo na ferida e escarnecendo de todos quantos lhe fazem a vida negra. Durante o dia passeia incólume aos rumores e barbaridades que debita à noite “on air”. Amado e odiado, ninguém lhe é indiferente! À socapa, gera-se um mercado paralelo de k7’s com as emissões gravadas, próprio  para coleccionadores.

Quero crer que na altura em que Allan Moyle apresentou o argumento, os executivos pensaram que não passava de uma excelente ideia para um “B movie” sobre adolescentes desocupados. Afinal, “Pump Up The Volume” com Christian Slater (Mark/Hard Harry) seria apenas um delírio histérico?

Em pouco mais de 15 anos - um argumento sobre a possibilidade de qualquer pessoa ter a sua própria rádio e dizer o que quiser – é uma realidade. Marca da evolução dos tempos -  uma liberdade demasiado inconveniente para uns e o “grito do ipiranga” para outros – surge o Podcast. Longe vão os tempos de Hard Harry, escondendo o retransmissor na horta familiar a par com as couves, não fosse alguém descobrir!

Em Portugal o podcast tem-se vindo a impor-se devagarinho. São poucos os que fazem emissão para esse fim, ( mas são muitos os programas de rádio convertidos em podcast pelas óbvias vantagens), porém são cada vez mais os que  se predispõem a ouvir, num ou noutro caso. Facto que tem sido um estímulo para todos os podcasters nacionais.  E a prová-lo a iniciativa - www.melhorblogportugues.com – referente a 2007 teve em consideração várias categorias. É de louvar que o Júri do MBP não se tenha esquecido de eleger os melhores oito podcasts portugueses. Aqui fica a lista oficial:

1º Elite Criativa
2º Lado B
3º Água e Sal
4º OPA
5º Rádio Critica
6º Jam Session
7º Queque com Passas
8º Rita’s Podcast

Eu sou a mentora do OPA’s Podcast. A sigla quer dizer - Onda Portuguesa no Ar - e surgiu há mais de um ano e meio - qual grito de desespero. Dez anos como profissional  de rádio e muitas chapadas de luva branca na cara -  os directores a falharam com a palavra, ordenados em atraso e a necessidade de um rumo na vida – obrigaram-me a deixar de fazer a única coisa que sei fazer na vida. Foi a mais dura decisão e a mais iluminadora. Zangada com a rádio (como se ela tivesse culpa) – até ouvi-la no carro era um processo doloroso. Passado um ano de ressaca decidi que ninguém me impediria de continuar a fazer aquilo que realmente me apaixona. O improviso de um home studio foi pacífico - a ajuda do Ivan Rodrigues não pode ser esquecida - e a OPA estava no ar e com uma aceitação incrível entre bandas e apreciadores da nova vaga criativa musical em Portugal.

Depois de leres este artigo ficaste com vontade de ter o teu  próprio programa de rádio? Boas notícias para ti! Não precisas ser um mestre nas novas tecnologias ou ter uma voz extraordinariamente ludibriante ( a não ser que queiras fazer parte de uma qualquer seita religiosa). Sabes o que disse Madonna, somente o ícone máximo da Pop? - “Quando quis ser cantora não foi porque tivesse uma voz fantástica, mas porque senti que  tinha algo para dizer”. Enquanto houver liberdade de expressão diz de tua justiça, algures no mundo, alguém quererá ouvir-te!

Aqui fica a primeira lição  para entrares no maravilhoso mundo dos podcasters – www.podomatic.com -

 


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