| O Metaleiro do Far West |
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| Escrito por Claudia Matos Silva | ||||
| 23-Mai-2007 | ||||
Página 1 de 2 No B.I é o cidadão António Melão, no mundo da música é o mítico Cameraman Metálico, alcunha que escolheu nos anos 80 para assinar os seus trabalhos, evitando entrar em litígio com uma ex-companheira de quem tem uma filha.
O Cameraman Metálico nasceu em Serpa há 52 anos mas na verdade é um cidadão do mundo, que faz da paixão pela música, em particular pelo Heavy Metal e Hard Rock, o motor da sua vida. Já privou com muitas estrelas do mundo do Rock e é inclusive conhecido entre a classe artística, quer nacional, quer internacional. Com a idade, a garra do Sr. Metálico não esmoreceu e quem o quer ver feliz, é na zona dos fotógrafos acreditados, artilhado com a sua camera, em busca da fotografia perfeita.
Orgulhoso por ser um auto didacta e assim ter liberdade para criar um estilo próprio, não deixa de ser exigente e crítico com o seu trabalho. “Eu sou é picuinhas” – remata. Homem simples, humilde, metido consigo, de poucas palavras, voz grave e olhos azuis que parecem saltar das órbitas. É uma figura que intimida pela barba e o cabelo comprido, imagem de marca que tem dado origem a que muitos desenhadores se inspirem nele para cartoons e caricaturas.
Encontrámo-nos no Miratejo num parque que anteriormente tinha sido uma quinta, confidenciou-me, que tinha umas laranjas muito boas. A noite estava com uma temperatura amena e por isso dispensou o seu habitual casaco de ganga e veio de t-shirt cinzenta com uma estampa referente a Ozzy Osbourne, um dos seus ídolos. Durante mais de uma hora o Cameraman Metálico contou-me pedaços da vida de um homem, que podia ser meu pai, não fosse o facto de apenas terem em comum o gosto pelo fado vadio de Alfredo Marceneiro e Fernando Farinha. A nossa conversa começou em 1974. Portugal estava em convulsão e uma geração inteira com esperança de que a revolução fosse a resposta para todos os problemas. António na altura simpatizante do MRPP, trabalhava no Pão de Açucar de Almada e ganhava três contos por mês. Aos18 anos entre Deep Purple e Pink Floyd, sonhava com um futuro melhor. Enquanto os cravos transformam-se em símbolo nacional com o país de pantanas sem saber como lidar com uma democracia que mal gatinhava, o Cameraman, encontrou as respostas para a sua vida quando viu pela primeira vez o mundo por uma objectiva reflex. Em 1975, esteve em Cascais para assistir aos Genesis. Um espectáculo histórico com a formação inicial, Peter Gabriel na voz, Phil Collins na bateria e toda a atitude teatral que caracterizava a banda nos seus primeiros anos. Foi nesse concerto que começou a aplicar os dotes, ainda muito primários, de fotógrafo com a sua primeira camera, uma Olympus de bolso (compacta).
Em 1979 foi para Inglaterra, trabalhar na agricultura, apaixonou-se por uma japonesa com quem esteve casado 15 anos e de quem tem uma filha. É no Japão das mãos do sogro que recebe uma Nikon com Grande Angular, 50 mm e Tele objectiva 135 mm. A partir daqui o António está devidamente artilhado para captar pela sua objectiva alguns dos nomes mais marcantes do rock. Em 1988 de regresso a Portugal, cria uma Fanzine com fotos originais “Hard n’Heavy” com uma tiragem de 300 cópias a 200 escudos cada. Por ter contas a pagar trabalhou 17 anos numa fábrica de explosivos de Corroios e a fotografia mantém-se como um hobbie, que vai ganhando cada vez mais dimensão na sua vida. É nos anos 90 que se dá o Boom na carreira do Metálico, sendo uma pessoa extremamente pró-activo oferece-se para escrever para o Diário Popular. A sua fanzine passa para uma página semanal desse jornal . Dois anos depois o diário encerra, Cameraman começa a colaborar com o Diário do Alentejo e no jornal A Capital. Durante 10 anos é o especialista de metal por excelência em Portugal. Percorre o mundo, fotografa alguns dos seus ídolos. Na sua memória ainda retém a imagem de Ozzy em palco, a uns 10 metros de distância da sua objectiva no Monsters of Rock, em Inglaterra, a tocar para 100 mil pessoas. Para além da imprensa escrita, António, entra no mundo da rádio. Primeiro numa experiência na Rede A em Almada com o programa Metalescência e mais tarde em Lisboa na Super FM com o Anestesia Geral que incluia a “Máquina do Tempo Metálica”, a que se seguia o famoso “Merda na Madrugada”. Entretanto casa-se com uma colombiana, que conheceu Espanha (Vigo) num concerto dos Rolling Stones e embora não seja pai biológico, perde-se de amores pelo pequeno Camilo, filho da sua esposa.
Em 2000 decidiu deixar de trabalhar na Fábrica de Explosivos, o que confessa ter sido um enorme erro. Fazer da fotografia um trabalho em full time revela-se uma decisão arrojada com o Cameraman sempre a viver no limbo. Mesmo assim não desanima e continua com a mesma atitude determinada como nos tempos que roubava laranjas na Quinta do Miratejo ou a apanhar legumes em Inglaterra. No fim da conversa revela-me que para além de gostar de cenários épicos, quer no metal, quer no cinema, é acima de tudo um grande fã de filmes de cowboys. Com o visual de Metálico só consigo ver nele um Índio, mas como nos filmes de Hollywood quem ganha são sempre os cowboys e dos fracos não reza a história, António Melão, o cidadão, pode não ter um saldo bancário de fazer inveja, no entanto,Cameraman Metálico, o ícone, tem a admiração dos que lhe reconhecem um papel preponderante para o crescimento e divulgação do metal em Portugal. Foto: Rui M. Leal
Os leitores deixaram 11 comentários. Se der para identificar a foto agradeço! É de Rui M. Leal Abraço e thanks - CM Só mesmo nesta aparência de país é que uma referência no seu sector de actividade, como é o CM, ao fim de tantos anos não consegue ter estabilidade financeira. Com tanta mediocridade a empaturrar-se a custa da "confrarias", são mesmo os frutos poderes do 25 de Abril... Hail & Kill Posted 2007-05-25 15:31:41 Faço minhas as palavras do João Pinto dos Alkateya: como é que é possivel, que um ilustre fotografo como o António tem de se debater com dificulddades ao fim de tantos anos? Quando fizeste as fotos para o nosso 2º album, sempre pensei que tivesses um futuro brilhante nos anos vindouros, mas apesar das dificuldades, podes crer que a nação Metalica lusitana aplaude de pé a tua dedicação e não te esqueçe nunca!! Um abraço do sempre amigo João Sergio... Saudações Ibericas!! esse Sr. foi/é o grande impulsionador para inúmeros jovens que hoje em dia fotografam espectáculos (eu inclusivé). Kudos para ti, Mestre! O autor da foto foi adicionado ao artigo. |
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