|
Peste & Sida - O Regresso |
|
|
|
|
Escrito por Claudia Matos Silva
|
|
18-Jun-2007 |
Os Peste & Sida regressam com um novo CD - Cai No Real - numa edição de autor que deixa o colectivo bastante orgulhoso do resultado final do registo que reafirma a famosa frase "The Punk Is Not Dead". Eu diria mais, o Punk está vivo e de boa saúde! A banda está mais adulta, barulhenta como convém e sem medo de pôr o dedo na ferida. Dôa a quem doer, eles estão de volta!
É curioso constatar que bandas históricas que já estão inscritas nos anais da música portuguesa mantêm uma humildade inabalável. Eu sou muito sincera, se de hoje para amanhã eu me tornasse numa estrela, não sei se manteria esta minha natural humildade. Se calhar passava a ser uma “grande cagona” com a mania que tenho o mundo na palma das minhas mãos. É algo que nós nunca sabemos até ao momento em que a reviravolta se dá. Esta semana entrevistei os Peste e Sida. Poderia cair no censo comum dos jornalistas e fazer uma daquelas comparações que chateia muito as bandas, do género...os Peste & Sida são os Sex Pistols portugueses. Mas não me parece que sejam, embora tenham uma opinião muito próxima da que ouvi da boca do Jonnhy Rotten no que ao conceito Punk diz respeito. Vou mais longe, os Peste e Sida chegaram a partilhar o palco com os PIL, a banda de John Lydon, após terem enviado a certidão de óbito aos Pistols.
Tendo entrevistado muitas bandas e mais que isso, lido com algumas na parte mais importante, nos corredores, nas conversas de camarins e nas confissões de esplanada, fico fascinada por ter conhecido uma banda como os Peste & Sida que têm mais de 20 anos de carreira, com imensos marcos históricos no percurso da banda, quer como Peste, ou na pele de outros projectos musicais. E depois encontro uma banda humilde, séria e sem manias de estrela.
O que faz de um artista uma estrela? A música ou a atitude? Talvez as duas coisas combinadas. Porque para mim uma estrela é aquela pessoa ou aquela banda que após conhecer só lhe posso mesmo atribuir 5 estrelas. Há tantas bandas boas em palco mas insuportáveis fora dele...essas não merecem qualquer tipo de consideração. Nem sequer o nome citado neste artigo. No caso dos peste, talvez a maturidade lhes confira esta visão terrena de que a fama pode ser muito efemera e que em Portugal fama e glória não quer dizer comida na mesa e despesas saldadas. E com a lição de maturidade e humildade que recebi dos Peste & Sida, acho que muitas bandas deveriam pensar seriamente em moderar algumas atitudes que são dispensáveis num país como o nosso. É que se para alguns a humildade é uma fraqueza...para outros a humildade é uma forma de sobrevivência. E os Peste são uns sobreviventes da música portuguesa já lá vão mais de 20 anos. Ipe Ipe...Urraaaa!
Uma pessoa comentou este artigo 1. Sem títuloVisitante, Não registadoÓptimo regresso, sem dúvida! |