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Plastica Almada Boys
| Plastica Almada Boys |
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| Escrito por Claudia Matos Silva | |
| 03-Mai-2007 | |
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Estávamos em 2002 e algumas das mais influentes rádios portuguesas tinham nas suas playlist um tema pop chamado “Sleep All Day” e que parecia ter sido criado 10 anos antes, quando a Britpop estava em alta com nomes tão sonantes como os Suede, onde nem sequer o registo muito Brett Anderson faltava. Depois sucedeu-se o muito bem recebido “Baby Gasoline” e “Honey Honey”, para um grupo português, ter direito a três singles aclamados com apenas um álbum de estreia, só duas coisas podiam acontecer; ou seriam uma banda da moda e, tal como todas as modas, tem um período de vida muito curto, ou por outro lado, tinha nascido uma banda portuguesa capaz de dar um novo ímpeto à pop, género musical muitas vezes desconsiderado pelo críticos. Quando vi a 2 euros, algures numa superfície comercial o CD – Pop Songs & Rock People, para além de aproveitar a pechincha, receei o pior. O futuro dos Plastica estava, literalmente, no meio de um caixote de CDs repudiados, qual refugo que anda a pontapé de um lado para o outro e que ninguém quer saber. Lamentei, tal como lamentei da mesma maneira ver outros projectos nacionais com algo a acrescentar ao nosso pequeno Portugal, serem dizimados sem dó nem piedade pelo mercado. E o melhor indicador que tenho é quando um CD desce de uma prateleira e passa à condição de promoção, como quem diz “nós quase que pagamos para levarem isto daqui”.Em 2003 estavam os Suede em final de carreira, e como muitas bandas internacionais gostam de fazer, resolvem pregar o último prego no caixão criativo, num concerto em território luso. Não sei se devemos levar isso como um elogio à nossa Portugalidade, mas bolas, começam a ser casos a mais. Os Suede que estiveram nos píncaros nos anos 90, especialmente na primeira metade, foram decaindo ao ponto de lançarem um último disco chamado “Positivity”, em que definitivamente tentaram positivar o mau estar que se fazia sentir no seio da banda e vieram à Aula Magna dar o último suspiro de vida. A fazer a primeira parte, uma banda nacional, os Plástica. A sensação foi estranha, uma espécie de clonagem, em que os clonados mostravam ser uma versão muito melhor do modelo original. E a prová-lo está o facto de passados 4 anos, 2007 chega-me às mãos “Kaleidoscope”. A única vez que espreitei por um Caleidoscópio fiquei fascinada, a convergência e divergência de cores e formas era tão atractiva aos meus olhos, e ao mesmo tempo, nada parecia mais infantil que aquilo. Senti-me uma criança encantada a olhar para um balão dourado em forma de peixe ou com os olhos arregalados a contemplar um enorme carrossel em forma de dragão de mil cores. Os Plástica mantêm o lado puro da música pop, aquela aura infantil que dá um tom genuíno aos 13 temas do novo CD. Mas por outro lado, se ouvir os temas de olhos fechados quase que sou reportada para um universo que só vi na TV e no Cinema. Os anos 60/70, as drogas leves a exaltarem os experimentalismos musicais, com tonalidades psicadélicas, por vezes paranóicas e insanas. São imagens que retenho especialmente de documentários a cores dos Beatles, já na fase final, com Yoko Ono a dar a sentença de morte à banda de Liverpool, e eles possivelmente sem saberem, a deixarem o legado para que no futuro se pudesse dar continuidade a algo que foi interrompido. Um processo que ficou congelado naquela época que que em pleno século XXI é descongelado em 13 temas extremamente bem produzidos, e gravados no local onde os Plástica sentem que morreram e foram directamente para o ceu – The Red Light Underground Studios. No site oficial, a banda refere que os estúdios são um Bunker espiritual e relaxante, um local inspirador. O que querem realmente dizer com isto, nós não fazemos ideia. Não nos passa pela cabeça o que decorre durante o processo criativo dos Plástica, mas enquanto continuarem a fazer discos assim.... |
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