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Corroios "A Final" é Outra Música! PDF Imprimir e-mail
Escrito por Cláudia Matos Silva   
19-Mar-2008

A final da XIII edição do Festival de Música Moderna de Corroios não podia ser mais eclética. Apurar apenas um projecto vencedor não foi tarefa fácil, tendo em conta que cada banda representava um estilo distinto. Se o senso comum do povo diz “que ganhe o melhor” como forma de se desresponsabilizar de missões difíceis. No passado Sábado “o melhor” foram os finalistas: Million Dollar Lips, The Profilers e Mad Dogs. Não queremos afagar o ego ferido de quem não ganhou - independentemente das preferências musicais de cada um de nós - quem esteve no Ginásio Clube de Corroios sabe que qualquer um dos três finalistas merecia ganhar.

Million Dollar Lips abriram o palco Corroios, mas ao contrário das outras duas bandas - que se libertaram na noite da final, jogando todos os trunfos -os sesimbrenses estiveram mais contidos do que no concerto anterior na Mundet ao Seixal. Tecnicamente a banda esteve impecável com uma actuação irrepreensível - no entanto faltaram as projecções do VJ Super8 – roubando fatia importante do conceito Million Dollar Lips. O público contagiado, delirou em especial com o muito orelhudo “Round”. Mr. Big dos Profilers confidenciou-nos não conseguir tirar o single da “banda rival” da cabeça. Actualmente Z, Obsessive Jon e Lazy têm cerca de 11 temas - produzidos com o rigor que lhes é reconhecido – e só aguardam uma oportunidade para a edição do tão desejado disco de estreia.

The Profilers sabiam que as outras bandas não iam facilitar. Eurico A.K.A Mr. Big na sessão anterior disse sobre os Mad Dogs “epá estes gajos são munta bons!”. Incentivados pela qualidade dos outros dois projectos a concurso, os sintrenses agarraram-se à vitória com unhas e dentes. Pisaram o palco do Ginásio pela segunda vez consecutiva que, entretanto, já parecia propriedade do colectivo. Não faltaram os temas que mexem com as pequenas multidões “Hot”, “Escape” ou o muito sugestivo “Edith Piaf on LSC”. “Bye Bye” a música de encerramento da pequena actuação dos Profilers surgia do público em uníssono. San deslizava suavemente pelo auditório qual maestro orquestrando todos quantos se rendiam incondicionalmente.

Mad Dogs também não tinham nada a perder. E se na noite de estreia em Corroios nos deixaram de queixo caído, na última sessão do Festival, deram um concerto punk/rocker - a fazer lembrar os velhos tempos dos Sex Pistols - com rebeldia e loucura em palco. Houve muito calão com sotaque do norte. O mimo “quaralho” é um exemplo, mas outros termos em vernáculo foram usados, típico de um concerto suado de rock “à canzana” como nos tinham prometido os “cães furiosos”. Lamentamos que nenhuma “groupie” quisesse ficar com as meias que, em estado de histeria, Renato (baixista) atirou para o público. Lá diz o ditado popular “o seu a seu dono”!

A encerrar a noite um dos mais aguardados concertos da Edição 2008 do Festival. Slimmy que percorreu Portugal de lés a lés – e até além fronteiras – nunca tocara na freguesia. Em entrevista, tem apenas na memória uma “visita de médico” e um encontro casual com Alex o mesmo do sucesso “Mr. Gay”. Desta vez “ o magrinho do rock electrónico” trazia na bagagem “BeatSound Loverboy” – o resultado da luta permanente do músico nortenho – que continua a trabalhar arduamente pelo seu lugar ao sol. E nem por acaso, é na praia que escreve algum material para o novo disco, experimentando-o ao vivo no palco do Ginásio Clube. Na essência explorou o disco de estreia - tocando-o fielmente – sem esquecer os singles “BeatSound Loverboy” e a mais recente aposta “ShowGirl”, cujo a produção está a recrutar miúdas de todos os estilos para o videoclip a ser editado em breve. Momentos altos foram também “Set Me On Fire” ou o contagiante “Self Control”. Slimmy não defraudou sempre afinado, inclusive nas incursões agudas. A sexualidade - numa frase, num “rife” de guitarra ou num gesto descaradamente efeminada – esteve sempre presente. Tímido na comunicação directa com o público preferiu a dinâmica dos concertos de Punk com “sets” de 3 ou 4 músicas seguidas, sem tempo para recuperar o fôlego!

E se o público acarinhou este evento na abertura, a final foi verdadeiramente gloriosa com o auditório praticamente cheio. Os aplausos não foram arrancados a ferros como um parto difícil e as claques das diferentes bandas a concurso fundiram-se numa só. Era difícil saber quem estava por quem…afinal estavam todos pela boa música portuguesa. Aleluia!

+info: www.festivaldecorroios.net

Foto José Frade

 


 
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